e a brisa se fez vento
Decidida, a mulher sorveu pela palhinha o último gole do copo, já só repleto de gelo, e levantou-se da mesa que havia escolhido a um cantinho do bar onde havia uma janela para a praça. Lá fora, o burburinho normal de uma noite quente, a esplanada, casais, grupos de jovens, cerveja, vinho, e variados cocktails. Ao fundo, bem ao fundo, o mar, cujo rugido não era audível, mas presente, pela maresia, pela escuridão, pontilhada de alguns pirilampos das embarcações quando se aproximavam do porto. Eu não queria mais nada senão um aconchego, alguém com quem conversar, contribuir com a minha voz para o burburinho de gente feliz. Certamente muitos embriagados, mas – pelo menos naquele momento – felizes. E eu invejava-os. «Dreamtime, dreamtime», ouvia-se na música de fundo do bar, rebuscando memórias de quem reconhecia o refrão da banda The Cult. Eu, já tão velho entre aquela gente bebendo e divertindo-se, cuja maioria não reconhecia a canção. Excepção para a barista, mulher na casa dos quarenta,...